Poesia que encontra o infinito nas pequenas coisas da vida

Por Mozart Sávio | 24/08/2026

 

Um ventilador ligado, uma mensagem que chega, uma fotografia antiga, o vento atravessando as folhas, o tempo que passa e um céu cheio de estrelas. Em Universo Lírico, de Eliane Moraes, publicado pelo selo Página Nova, elementos comuns da vida convivem com imagens da natureza e do infinito. A obra reúne poemas escritos em diferentes momentos da trajetória da autora e transforma experiências, lembranças e inquietações em matéria poética.

Parte dos textos foi escrita no Brasil e parte no Japão, onde Eliane viveu por aproximadamente seis anos. Essa construção ao longo do tempo ajuda a explicar um dos movimentos mais presentes no livro: tudo muda. Pessoas mudam, relações se transformam, lembranças ganham novos significados e o tempo obriga o olhar a se reorganizar. Entre poemas sobre amor, silêncio, escolhas, esperança e recomeços, Universo Lírico acompanha um eu lírico que observa o mundo enquanto tenta compreender a si mesmo.

Professora de Língua Portuguesa, pedagoga e especialista em Literatura Brasileira, Eliane construiu desde cedo uma relação próxima com os livros. Na obra, essa formação literária encontra uma linguagem que mistura referências clássicas e imagens contemporâneas. Celulares, e-mails, fotografias e vida digital aparecem ao lado de rios, flores, vento, Lua e estrelas, aproximando a poesia do cotidiano de quem lê sem abandonar o encantamento e a reflexão.

A natureza é uma presença constante, mas não funciona apenas como cenário. O vento pode carregar lembranças; a luz pode anunciar um novo começo; o rio pode representar aquilo que não permanece; e as estrelas ampliam questões humanas para além do imediato. Ao mesmo tempo, poemas como “Silêncio para quê?”, “Cronos”, “A palavra” e “Recomeço” levam o leitor a pensar sobre expressão, passagem do tempo, força da linguagem e capacidade de reconstrução.

Universo Lírico fala especialmente a quem encontra poesia nos pequenos acontecimentos e gosta de leituras que permitem parar, observar e atribuir novos sentidos à experiência. Mais do que apresentar respostas, Eliane Moraes convida o leitor a perceber aquilo que muitas vezes atravessa os dias sem ser notado: o tempo, as palavras, os afetos, as mudanças e a própria possibilidade de recomeçar.

 

Dados editoriais

  • Título: Universo Lírico
  • Autora: Eliane Moraes
  • Ano de publicação: 2026
  • Selo/Editora: Página Nova, um selo Café do Escritor (Curitiba-PR)
  • Páginas: 96
  • ISBN: 978-65-85933-84-1
  • Gênero: Poesia brasileira
  • Projeto gráfico, diagramação e capa: Cesar Oliveira
  • Link da obra: https://a.co/d/00jhGnmy

Literatura infantil que fala sobre acolhimento e que aproxima gerações

Por Mozart Sávio | 11/08/2026

Uma cachorrinha de rua protege seus três filhotes em uma noite fria. Ela não tem casa nem sabe o que acontecerá no dia seguinte. É dessa cena que nasce Alminha e o poder do amor, de Lúcia Waltortt, publicado pelo selo Página Nova. A obra transforma uma história de abandono em uma narrativa sobre acolhimento.

O primeiro gesto de amor acontece quando a família canina é resgatada por uma ONG de proteção animal. Depois que os filhotes são adotados, a mãe passa a conviver em um residencial para idosos. A cachorrinha que começou a história precisando de ajuda passa, então, a oferecer companhia e alegria aos moradores. O livro também mostra as pessoas idosas não apenas como quem recebe cuidado, mas como quem acolhe e oferece um novo começo.

Pedagoga, Lúcia Waltortt atua como sentinela-guardiã de fim de vida na área de cuidados paliativos e há dez anos trabalha como gerente em um residencial para idosos. Sua experiência ajuda a explicar a relação de temas como proteção animal, envelhecimento e convivência entre gerações.

Para a criança, “Alminha e o poder do amor” pode ser lido como a história de uma cachorrinha que encontra um lar. Para os adultos, a obra também abre conversas sobre adoção responsável, separação, envelhecimento, diferentes formas de família e cuidado. Essa dupla leitura dá força ao livro: uma narrativa simples para os pequenos, mas com temas que também podem tocar quem já cresceu.

Dados editoriais

  • Título: Alminha e o poder do amor
  • Autora: Lúcia Waltortt
  • Ano de publicação: 2026
  • Selo/Editora: Página Nova, um selo Café do Escritor (Curitiba-PR)
  • Páginas: 20
  • ISBN: 978-65-85933-91-9
  • Gênero: Literatura infantil / infantojuvenil; animais de estimação; adoção de cães
  • Ilustrações: Eduardo César Machado
  • Link da obra: https://a.co/d/00jRaCgs

“Mergulho no escuro” acompanha a reconstrução da vida após a perda da visão

Publicado pelo selo Página Nova, livro de Sônia Oliveira acompanha um pai de família no enfrentamento do glaucoma e no processo de reabilitação, em uma narrativa sobre autonomia, fé, vínculos afetivos e recomeço.

 

Por Mozart Sávio | 2026

 

A escritora Sônia Oliveira lança Mergulho no escuro: redescobrindo a vida além dos olhos, obra inspirada na trajetória de Paulo Virgílio, marido da autora. Publicado pelo selo Página Nova, do Café do Escritor, o livro acompanha Pedro, um pai de família e trabalhador que precisa reorganizar a própria existência após o avanço do glaucoma e a perda progressiva da visão.

A perda da visão afeta o trabalho, a autonomia, a identidade, os relacionamentos familiares e os projetos de futuro do protagonista. O percurso começa com sinais aparentemente isolados, como dores de cabeça, apagões, dificuldade para ler, reconhecer fisionomias e se orientar em lugares conhecidos, e avança até as transformações impostas pela nova realidade.

À medida que a doença progride, Pedro enfrenta medo, resistência e dificuldade para aceitar as mudanças. A interrupção da rotina profissional, a dependência crescente e a insegurança diante do cotidiano ampliam o sentimento de isolamento. O livro, no entanto, não se limita à experiência individual do protagonista, também revela os desafios vividos por sua esposa, seus filhos e pelas pessoas que permanecem ao seu lado durante o processo de adaptação.

Nesse contexto, a reabilitação surge como uma construção coletiva. Familiares, amigos, profissionais e instituições de apoio desempenham papel decisivo na retomada da autonomia. Pedro precisa reconstruir sua relação com o corpo, com os espaços e com as pessoas ao redor.

A proximidade com acontecimentos reais confere à narrativa uma dimensão íntima, social e profundamente humana. Com linguagem direta, emocional e acessível, Mergulho no escuro dialoga com pessoas com deficiência visual, familiares, cuidadores, profissionais de saúde, educadores e leitores interessados em narrativas de experiência humana, cuidado e reconstrução. O livro propõe reflexões sobre inclusão, autonomia, cuidado familiar, espiritualidade e capacidade de recomeçar diante de mudanças irreversíveis.

Mergulho no escuro é uma narrativa sobre o medo de perder a luz, mas, sobretudo, sobre a coragem necessária para descobrir outras formas de ver.

 

Sobre o livro

  • Mergulho no escuro: redescobrindo a vida além dos olhos
  • Autora: Sônia Oliveira
  • Editora: Página Nova, selo do Café do Escritor
  • Ano: 2026
  • 184 páginas
  • ISBN: 978-65-85933-88-9

“Os segredos de Nadja” e as contradições do Brasil do café

Obra publicada pelo selo Página Nova acompanha uma baronesa da elite cafeeira diante de segredos que atravessam casamento, família, escravidão, pós-abolição, imigração e desigualdades sociais no Brasil do início do século XX.

 

Por Mozart Sávio | 2026

 

A escritora Elvira Barbosa lança Os segredos de Nadja, romance brasileiro de ambientação histórica publicado pela Página Nova, selo do Café do Escritor. Situada no início do século XX, a narrativa acompanha Nadja, baronesa ligada à elite cafeeira, quando uma crise de seu marido, Afonso, o barão de Cedro Rosa, desencadeia lembranças e revelações capazes de abalar a ordem familiar.

Entre fazendas de café da Zona da Mata mineira, salões paulistanos, espaços de devoção, ambientes domésticos e bastidores da política, o livro recria um Brasil marcado por heranças coloniais, hierarquias rígidas e tensões sociais ainda presentes. Ao redor da protagonista, Afonso, Jacinthe, Aurélia, Youssef e Irene formam um painel de afetos, ambições, perdas e vínculos atravessados por classe, raça, origem e gênero.

Combinando romance histórico, drama familiar e crítica social, Os segredos de Nadja investiga o que as famílias escondem para preservar aparências. A trama articula amor e conveniência, casamento e aprisionamento, maternidade e culpa, educação e poder, religião e moralidade, memória e esquecimento.

O romance também aborda questões centrais da formação brasileira, entre elas escravização, abolição incompleta, racismo, imigração, relações de trabalho, dependência econômica e o lugar social reservado às mulheres. Esses temas surgem integrados aos conflitos das personagens, sem afastar a narrativa de sua dimensão íntima.

Com escrita descritiva, atmosfera de suspense e atenção ao detalhe histórico, Elvira Barbosa conduz o leitor por uma trama em que segredos privados revelam estruturas coletivas. Ao revisitar o Brasil do café, o livro convida a observar o passado sem complacência e a reconhecer permanências que ainda moldam o presente. 

 

Dados editoriais
  • Título: Os segredos de Nadja
  • Autora: Elvira Barbosa
  • Edição: 1ª edição, 2026
  • Selo/Editora: Página Nova, um selo Café do Escritor
  • Páginas: 410
  • ISBN: 978-65-85933-83-4
  • Gênero: Romance brasileiro

Neide S. Faustino lança Caminhos, livro de poemas sobre memória, afeto e coragem de recomeçar

Obra publicada pelo selo Página Nova reúne 30 poemas e transforma vivências pessoais em reflexões sobre família, tempo, liberdade, gratidão e esperança.

Por Mozart Sávio | 2026

 

A escritora Neide S. Faustino lança Caminhos, livro de poemas publicado pelo selo Página Nova, do Café do Escritor. Em 56 páginas, a autora reúne 30 poemas que percorrem temas como memória, infância, vínculos familiares, amizade, maternidade, liberdade, ancestralidade, espiritualidade e coragem diante da passagem do tempo.

Nascida em São Paulo, em 1953, e criada na periferia da capital paulista, Neide encontrou desde cedo na literatura uma forma de descoberta e encantamento. A velha estante de livros dos irmãos mais velhos, as letras de música, o incentivo de professoras e os sonhos de infância ajudaram a formar sua relação afetiva com as palavras.

Ainda menina, sonhava em ser cantora, atriz e professora. Durante o ensino fundamental, recebeu como prêmio o livro O Mágico de Oz pela melhor carta escrita a uma aluna do interior de São Paulo e conquistou o primeiro lugar no Festival de Canções do colégio, com letra e música de sua autoria. Mais tarde, após os cinquenta anos, realizou o sonho de ingressar na universidade, formando-se em Pedagogia pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Em Caminhos, essa trajetória aparece transformada em poesia. A autora escreve a partir de suas experiências: o medo de errar, o desejo de liberdade, a força das mães, a presença do pai, a infância que permanece viva, a passagem do tempo, a gratidão pelos afetos e a busca por sentido diante da vida.

O título da obra funciona também como eixo simbólico. Caminhar, no livro, não significa apenas seguir adiante, mas aprender a perguntar, cair, levantar, escolher rotas, atravessar dificuldades e preservar a esperança. 

Com linguagem simples, musical e acolhedora, Caminhos transforma experiências pessoais em poesia próxima, sensível e profundamente humana. A obra fala a leitores que veem na palavra uma forma de guardar memórias, reconhecer afetos e reencontrar forças para seguir adiante. Em meio à pressa cotidiana e ao risco do esquecimento, o livro convida a uma pausa: olhar para o que foi vivido, acolher os sonhos que ainda permanecem e perceber que sempre há uma nova possibilidade de florescer.

Dados editoriais

  • Título: Caminhos
  • Autora: Neide S. Faustino
  • Edição: 1ª edição, 2026
  • Selo/Editora: Página Nova, um selo Café do Escritor
  • Páginas: 56
  • ISBN: 978-65-85933-89-6
  • Gênero: Poesia brasileira

Fantasia infantojuvenil e uma jornada sobre coragem, fé e a capacidade de ver além das aparências

Por Mozart Sávio |1° de junho de 2026

Em uma sociedade marcada pelo medo e pela desconfiança, um jovem artífice é enviado a uma terra que sua comunidade aprendeu a rejeitar. Essa é a premissa de O Escolhido: um chamado para ver além, fantasia infantojuvenil de Miria Krämer Biava, publicada pelo selo Página Nova. 

A obra acompanha Kaleo, morador da Vila Citrino, em uma jornada que une aventura, mistério e reflexão moral. Enviado a Verdena para conhecer um sistema capaz de levar água à sua vila, o jovem artífice parte acreditando cumprir apenas uma missão prática. No entanto, o contato com uma realidade muito diferente da sua o leva a questionar preconceitos, versões oficiais da história e convicções que, até então, pareciam inabaláveis.

Entre criaturas fantásticas, segredos políticos e descobertas espirituais, Kaleo precisa decidir se continuará preso ao medo e ao orgulho de sua origem ou se terá coragem de reconhecer a verdade diante dos próprios olhos. Assim, a aventura externa se converte também em uma jornada interior, marcada por escolhas, dúvidas e transformação.

Com linguagem acessível e um universo imaginativo, O Escolhido aborda temas como discernimento, fé e responsabilidade sem abrir mão da aventura. Na narrativa, a fantasia não funciona apenas como cenário, mas como meio de formação: a jornada de Kaleo mostra que ser escolhido vai além de receber uma missão. Significa aprender a enxergar para além das aparências, reconhecer a verdade quando ela se revela e ter coragem de permanecer fiel a ela.

Voltado ao público infantojuvenil, o livro também dialoga com leitores adultos interessados em narrativas de formação, aventura simbólica e literatura orientada por valores cristãos.

Dados editoriais

  • Título: O Escolhido: um chamado para ver além
  • Autora: Miria Krämer Biava
  • Edição: 1ª edição, 2026
  • Selo/Editora: Página Nova, selo do Café do Escritor
  • Local: Curitiba–PR
  • Páginas: 250
  • ISBN: 978-65-85933-80-3
  • Gênero: Fantasia infantojuvenil; literatura de formação; ficção com valores cristãos

Uma obra que transforma a dor do luto em vínculo

Por Mozart Sávio | 14/04/2026

No hiato da dor nos tornamos suportes, de Vinicius Pereira, é um romance sobre duas experiências de luto. Publicado pelo selo Página Nova, o livro aborda temas como maternidade, violência doméstica e Alzheimer para compor uma narrativa em que o luto não funciona como ornamento dramático, mas como uma experiência capaz de reorganizar a rotina, os vínculos e o próprio modo de viver.

Lucy atravessa uma vida marcada por perdas sucessivas e pelo silenciamento. Cresce em um ambiente familiar duro, casa-se com um homem autoritário, passa a cuidar da mãe durante o avanço do Alzheimer e, mais adiante, é lançada à experiência devastadora do desaparecimento do filho. Quando sua dor encontra a de Joana, que perdeu o bebê no fim da gestação, o romance desloca seu eixo: sai do padecimento isolado e alcança o reconhecimento mútuo. São duas mulheres atravessadas por lutos distintos, mas igualmente incontornáveis, que constroem entre si uma relação fundada, sobretudo, na rara possibilidade de serem compreendidas uma pela outra.

O romance também fala de recomeços tardios, da coragem de voltar a estudar, de novas formas de amar, da amizade como amparo e da possibilidade de recuperar algum brilho depois de tanto sofrimento. Lucy e Joana não deixam de carregar seus mortos; aprendem, antes, a seguir com eles, sem desistir inteiramente do mundo.

Com linguagem sensível, imagética e relacional, Vinicius Pereira constrói uma narrativa que alcança leitores interessados em literatura contemporânea, relações familiares, maternidade, luto e saúde emocional. A obra interpela qualquer pessoa que já tenha experimentado a perda de alguém amado, a culpa, o silêncio ou a necessidade de amparo quando a vida deixa de caber em sua forma habitual.

Dados editoriais

  • Título: No hiato da dor nos tornamos suportes
  • Autor: Vinicius Pereira
  • Edição: 1ª edição, 2026
  • Selo/Editora: Página Nova (Toledo–PR)
  • Páginas: 160
  • ISBN: 978-65-85933-78-0
  • Gênero: Romance brasileiro

“Depois dos 70” desafia a ideia de que envelhecer é desaparecer

Por Mozart Sávio | 08/04/2026

Depois dos 70: lições, desafios e novos começos na maturidade, de Ivanete Bastos de Andrade, surge como uma rejeição à visão da velhice associada ao isolamento, à passividade ou ao fim. Publicado pelo selo Página Nova, o livro questiona a imagem tradicional do idoso que apenas aguarda o tempo passar e propõe um novo modo de viver a maturidade com mais lucidez, atividade, consciência e abertura para recomeços.

Ivanete, médica e observadora da experiência humana, constrói sua tese de que o maior risco do envelhecimento está na aceitação dos papéis e estereótipos limitadores. Para ela, envelhecer é uma escolha diária e renovável que vai além das limitações físicas e representa uma nova postura diante da vida.

Ao longo da obra, temas como memória, solidão, vínculos, autonomia e reinvenção ganham forma em uma reflexão que combina experiência pessoal, olhar clínico e desejo de despertar. A imagem das “gavetas” resume com força esse percurso: o passado não aparece como prisão nostálgica, mas como arquivo vivo, capaz de iluminar o presente e reabrir sentidos para o tempo que ainda existe. 

Com linguagem direta, próxima e marcada pela experiência, Depois dos 70 fala a quem já vive essa etapa da vida, mas também alcança filhos, familiares, cuidadores e profissionais da saúde. Ao deslocar o olhar sobre a velhice, o livro questiona a lógica que associa envelhecer ao apagamento e insiste em outra possibilidade: continuar escolhendo, criando, convivendo, aprendendo e pertencendo. 

Em um contexto de longevidade crescente, Ivanete Bastos de Andrade traz ao centro uma pergunta urgente: que lugar a sociedade reserva à maturidade, e que lugar cada pessoa decide ocupar dentro dela? Sem idealizar essa fase nem negar suas dificuldades reais, Depois dos 70 afirma, com clareza, que ainda há tempo para agir, reconstruir vínculos, rever a própria história e dar novo sentido aos dias. Mais do que um livro sobre envelhecer, a obra é uma recusa da passividade e um chamado à permanência em movimento.

Dados editoriais

  • Título: Depois dos 70: lições, desafios e novos começos na maturidade
  • Autor: Ivanete Bastos de Andrade
  • Edição: 1ª edição, 2026
  • Selo/Editora: Página Nova (Toledo–PR)
  • Páginas: 128
  • ISBN: 978-65-85933-77-3
  • Gênero: 1. Bem-estar 2. Envelhecimento – Aspectos psicológicos
  • Link da obra: https://a.co/d/0eK50xWi 

Entre memórias, afetos e a leveza da infância

Por Mozart Sávio

Sopa de Histórias com tempero de poesia, de Maria da Conceição F. da Silva, conduz o leitor a um universo em que o cotidiano se converte em encantamento. A obra organiza-se como um mosaico de experiências familiares, reunindo narrativas breves, poemas e elementos do cordel que dialogam com o imaginário infantil, sem perder a capacidade de sensibilizar leitores de diferentes idades.

Inspirado nas vivências com sobrinhos e nas lembranças da própria infância, o livro apresenta uma escrita marcada pela oralidade, pelo humor e pela musicalidade. Histórias simples, como brincadeiras, travessuras e situações domésticas, adquirem novas camadas por meio da rima e do ritmo. Desse modo, constrói-se uma experiência de leitura que aproxima texto e escuta, palavra e afeto.

A obra se estrutura como uma verdadeira “sopa” narrativa: diversa, dinâmica e multifacetada. Personagens singelos, cenas do cotidiano e figuras do imaginário popular, como o “velho que pega” e o “homem da sacola”, são ressignificados, ora provocando riso, ora suscitando reflexão. Nesse movimento, o medo infantil é suavizado, o erro é reelaborado como aprendizado e a convivência familiar emerge como eixo estruturante das histórias.

Mais do que entreter, o livro propõe uma experiência sensorial e emocional. O texto não se limita à exposição de conteúdos; antes, busca transmitir o espírito da obra, favorecendo a identificação e o envolvimento do leitor. Assim, cada poema e cada narrativa funcionam como convites à memória, seja ela vivida, seja imaginada.

Com linguagem acessível e forte densidade afetiva, Sopa de Histórias com tempero de poesia reafirma a literatura infantojuvenil como espaço de formação sensível. Ao estimular a imaginação e o prazer da leitura, a obra também resgata valores como empatia, respeito e pertencimento, evidenciando que, na simplicidade das histórias, reside uma via potente de compreensão do mundo.

Trata-se, portanto, de um livro que se lê, mas também se escuta, se sente e se compartilha, como toda narrativa que nasce da experiência e retorna à vida.

Dados editoriais

  • Título: Sopa de Histórias com tempero de poesia
  • Autora: Maria da Conceição F. da Silva
  • Edição: 1ª edição, 2026
  • Selo/Editora: Página Nova (Toledo–PR)
  • Páginas: 48
  • ISBN: 978-65-85933-74-2
  • Gênero: poesia, literatura infantojuvenil
  • Link da obra: https://a.co/d/02TnorS0

Entre amores, ironias e destinos improváveis: uma jornada humana em busca da felicidade

Por Mozart Sávio | 10/03/2026

A literatura costuma funcionar como um espelho da vida. Em “A felicidade e os risíveis amores de todos nós”, o escritor J. Emiliano Cruz conduz o leitor por uma coletânea de contos que percorre justamente esse território instável onde convivem desejo, desencontros, acaso e esperança. 

Ao reunir histórias que alternam humor e drama, o autor constrói um retrato sensível das relações humanas. Seus personagens habitam um mundo em que os sentimentos raramente são simples e em que o destino, muitas vezes, parece brincar com as expectativas. Cada narrativa, à sua maneira, revela uma constatação familiar: a vida quase nunca segue o caminho que imaginamos.

Narrar o cotidiano humano

Nos contos, surgem personagens que poderiam viver em qualquer cidade. São homens e mulheres comuns, confrontados por dilemas afetivos, decisões difíceis e encontros capazes de alterar o rumo de suas histórias. Em determinados momentos, esses personagens se deparam com situações que os obrigam a rever a forma como compreendem a si mesmos e o mundo ao redor.

Esse olhar atento para o cotidiano dialoga com uma tradição importante do conto moderno. Em muitas narrativas desse gênero, acontecimentos aparentemente simples desencadeiam mudanças profundas na vida dos personagens. Escritores como Anton Tchekhov exploraram com maestria essa forma de construção narrativa, na qual pequenas experiências do dia a dia revelam transformações interiores. Em outra vertente, Clarice Lispector também mostrou como situações banais podem esconder sentidos inesperados.

Nos contos de Emiliano Cruz, essas revelações costumam surgir envoltas em ironia, coincidências improváveis e episódios que expõem a fragilidade das certezas humanas. Assim, o cotidiano se transforma em um espaço de surpresa, humor e reflexão.

Humor, ironia e reflexão

Um dos pontos mais marcantes do livro está na forma como o autor combina leveza narrativa com temas profundos. As histórias avançam com fluidez e frequentemente apresentam situações bem-humoradas. Ao mesmo tempo, levantam questões universais, como:

  • os desencontros do amor
  • as escolhas que moldam nossas vidas
  • o papel do acaso nos relacionamentos
  • a constante busca pela felicidade

Essa combinação torna a leitura dinâmica. Em certos momentos, o leitor se diverte com as situações vividas pelos personagens. Em outros, é levado a refletir sobre experiências que também fazem parte da vida real.

Uma coletânea sobre a condição humana

Embora cada conto apresente personagens e enredos diferentes, há um tema que atravessa toda a obra: a tentativa humana de compreender o amor e a felicidade em meio às incertezas da vida.

Nos relatos de Emiliano Cruz, os relacionamentos surgem, se transformam ou se desfazem diante de circunstâncias muitas vezes imprevisíveis. Ao acompanhar esses movimentos, o autor revela um olhar atento para as contradições da vida contemporânea, um cenário em que sentimentos intensos convivem com inseguranças, expectativas e decisões que raramente oferecem garantias.

Essa diversidade de histórias também abre espaço para que cada leitor construa sua própria relação com o livro. Em meio às narrativas, é provável que cada pessoa encontre um conto que dialogue de forma particular com sua própria experiência emocional.

Uma leitura que convida à reflexão

Afinal, a felicidade nasce das escolhas que fazemos ou das circunstâncias que a vida nos apresenta? Talvez ela surja justamente do encontro entre decisões pessoais, coincidências inesperadas e os caminhos que se abrem ao longo da existência.

Em “A felicidade e os risíveis amores de todos nós”, J. Emiliano Cruz oferece ao leitor uma obra que observa com atenção as ironias e complexidades das relações humanas. Trata-se de um livro que diverte, provoca reflexão e lembra algo essencial: a busca pela felicidade é uma experiência profundamente humana e, de certa forma, compartilhada por todos nós.

 

Dados editoriais

  • Título: A Felicidade e os risíveis amores de todos nós
  • Autor: J. Emiliano Cruz
  • Edição: 1ª edição, 2026
  • Selo/Editora: Página Nova (Toledo–PR)
  • Páginas: 176
  • ISBN: 978-65-85933-75-9
  • Gênero: literatura brasileira
  • Link da obra: https://a.co/d/0fLuUp3a