Era uma vez uma bailarina

A música sempre teve o dom de a fazer sorrir. “Uma boa melodia pode curar qualquer coisa”, falava Dalva no mesmo instante em que se punha a bailar. Seus braços iam e vinham em movimentos muito conhecidos por ela. Seus pés tocavam o chão de forma tão suave que todos diziam que parecia flutuar. E ela realmente flutuara, nos palcos do mundo inteiro por anos e anos, até à tarde de terça-feira em que precisou fazer uma escolha. Uma sentença muito difícil. Com o coração apertado, decidiu que era hora de abandonar a dança profissional. Seus braços e pernas lhe pediam descanso, e ela foi repousá-los, na rede quadriculada em baixo da velha figueira.

Curadoria: Lourenço Moura


Foto de Kristina Polianskaia no Pexels