De gude
O netinho tinha uma coleção de bolinhas. Tinha buricão, carambola, acinho, chazinha e leitosa.
Depois apareceu com uma tal de caolhinha. Fez sucesso no jogo de búlica até a mãe descobrir onde tinha ido parar o olho de vidro do avô.
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Urbanesca
Saiu cedo com o pai para a velha sinfonia urbana. Passaram por um parque.
Pipoca, sorvete e algodão-doce viraram memória. Debaixo da árvore parecia um piquenique.
Subidas e descidas, o menininho se cansou. Precisava ainda de mais um pouco de esforço. Desta vez, o carrinho do pai estava cheio de papelão e ele de fome
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O avarento
Detesto dever para alguém, mais ainda para um avarento. O vendedor de coxinhas ia toda tarde na firma. Fiquei devendo dois reais a ele.
Morreu. No velório, o filho da mãe me secava de olhos abertos.
Agora não devo mais nada. Peguei duas moedonas e pus nas vistas dele.
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Entrada secreta
— O que o fez chegar aqui? – perguntou-me o diabo.
— O cabo do elevador se rompeu.
Curadoria: Lourenço Moura