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De gude | Urbanesca | O avarento | Entrada secreta

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De gude

O netinho tinha uma coleção de bolinhas. Tinha buricão, carambola, acinho, chazinha e leitosa.

Depois apareceu com uma tal de caolhinha. Fez sucesso no jogo de búlica até a mãe descobrir onde tinha ido parar o olho de vidro do avô.

 

*******

 

Urbanesca

Saiu cedo com o pai para a velha sinfonia urbana. Passaram por um parque.

Pipoca, sorvete e algodão-doce viraram memória. Debaixo da árvore parecia um piquenique.

Subidas e descidas, o menininho se cansou. Precisava ainda de mais um pouco de esforço.  Desta vez, o carrinho do pai estava cheio de papelão e ele de fome

 

*****

 

O avarento

Detesto dever para alguém, mais ainda para um avarento. O vendedor de coxinhas ia toda tarde na firma. Fiquei devendo dois reais a ele.

Morreu. No velório, o filho da mãe me secava de olhos abertos.

Agora não devo mais nada. Peguei duas moedonas e pus nas vistas dele.

 

***

 

Entrada secreta

— O que o fez chegar aqui? – perguntou-me o diabo.

— O cabo do elevador se rompeu.

 

 


Curadoria: Lourenço Moura


Foto de Sandro Bier

4 comentários

  1. Gostei dos textos! Me fez lembrar meus irmãos e as bolinhas de gude, um pouco de riso ao dizer dos olhos de vidro da avó, olhos marejaram ao retratar a fome, e mais riso sobre moedas nos olhos do morto, e reflexão sobre a morte, quando o diabo faz a indagação…
    Parabéns pelos textos!

    • Obrigado pelos comentários, Silvana! Um abraço.

  2. Sensacional! 👏👏👏👏👏

  3. Ri um bocado!!!


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